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Fifa critica investigação da Polícia do Rio e questiona à máfia de ingressos

Publicado em 06 - 07 - 2014
Fifa critica investigação da Polícia do Rio e questiona à máfia de ingressos

Thierry Weil, diretor de marketing da Fifa, durante coletiva sobre a venda de ingressos da Copa: ele criticou a investigação sobre comércio irregular feita pela polícia do Rio. (Foto: Eliária Andrade / Agência O Globo).

Diretor de marketing reclama da divulgação de informações que ‘não são confirmadas’. Em resposta, polícia carioca diz; “Quem ri por último ri melhor”

Sem citar nomes, o diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, criticou a polícia do Rio e a 9ª Promotoria de Investigação Penal por estarem divulgando informações que não conseguem comprovar e por estarem acusando membros da Fifa de irregularidades na venda de ingressos da Copa do Mundo. O dirigente ironizou indiretamente as posturas do delegado Fábio Barucke, que lidera as investigações, e do promotor Marcos Kac, por ter afirmado que uma pessoa da Fifa liderava o esquema de câmbio negro. Kac chamou de "tubarão" o membro ainda não identificado da Fifa e que isso abalaria a estrutura da entidade.

- Não se divulga informações para a imprensa de uma investigação em andamento. Na Europa, isso não acontece. Vemos várias informações na imprensa passadas pelos investigadores que não são confirmados quando somos chamados a colaborar – afirmou Weil.

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Para comprovar sua afirmação, o dirigente citou o caso específico de um cambista inglês detido no dia 21 de junho no Copacabana Palace e que foi dito pela polícia que seria dirigente do alto escalão da Fifa.

- Roger, Roger, disseram que o nome é Roger (Roger Leigh, o turista inglês detido). E descobrimos que essa é exatamente a pessoa que eles prenderam uma semana atrás (no dia 21 de junho, no Copacabana Palace). Nós denunciamos e eles prenderam. Eles dizem que tem esse Roger, que talvez seja um oficial (da Fifa)... Então checamos e descobrimos que é uma das pessoas que foram presas por eles dias atrás. Dissemos a eles, há três pessoas aqui, eles vieram e prenderam. Agora pedem informações sobre a mesma pessoa. Então não sei, podem haver dois escritórios diferentes (da polícia) trabalhando - ironizou Weil, em alusão às declarações contraditórias do delegado e do promotor.

Ao saber das declarações de Thierry Weil, o promotor Marcos Kac reagiu: afirmou que o trabalho da Polícia do Rio conseguiu reunir provas “contundentes” e que a Fifa estaria tentando fugir de suas responsabilidades”.

— O que posso dizer? Quem ri por último ri melhor. As investigações conseguiram provas contundentes e em breve, assim que chegarmos aos outros envolvidos, vamos adotar medidas cabíveis — afirmou o promotor Marcos Kac.

O delegado Fabio Barucke, responsável pela investigação que identificou um esquema de repasse de ingressos a cambistas e levou à decretação da prisão de 11 pessoas pelo Juizado Especial do Torcedor, esclarece que há fortes indícios de que integrantes da quadrilha tinham acesso privilegiado à organização de compra e vendas de ingressos promovidos pela Fifa.

Para as conclusões da investigação e do relatório final do inquérito policial, o delegado aguarda respostas da Fifa. Segundo Barucke, a federação já foi comunicada, por meio de ofício, da relação de documentos que têm que entregar à polícia para auxiliar na identificação de outros envolvidos na quadrilha.

Sobre os ingressos, Fabio Barucke afirma que em nenhum momento disse que apreendeu três mil ingressos. Em relação aos dez bilhetes destinados à comissão técnica da seleção brasileira, o delegado explica que eles foram apreendidos no decorrer das investigações e estão sendo periciados no Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

Weil disse que dois funcionários da Fifa especializados na identificação dos ingressos, na sexta-feira, foram ao Instituto de Criminalística Carlos Eboli e que a polícia apresentou apenas 141 ingressos apreendidos, número bem inferior aos mais de três mil anunciados pelo delegado Fábio Barucke e pelo promotor Marcos Kac.

- Fui a uma delegacia policial no Rio. Perguntamos sobre como poderíamos ajudar a polícia. Há muitos ingressos falsos. Mostrei um falso e o verdadeiro. Escaneamos os 141 ingressos apresentados por eles e confirmamos que são verdadeiros. O curioso é que entre eles havia seis da Copa-2010 e quatro da Copa das Confederações-2013. O que os cambistas fariam com eles eu não sei - afirmou Weil. - Há 71 ingressos de hospitalidade, sendo que apenas um tíquete era da CBF e não dez como a polícia disse aos jornalistas. Sessenta desses 141 ingressos eram para o público em geral e foram comprados pelo sistema oficial da internet por pessoas que quiseram vendê-los depois. Desses 60 ingressos, apenas dois são para um jogo futuro, o de terceiro e quarto lugares (no dia 12 de julho, em Brasília).

Weil confirmou que entre os 141 ingressos apreendidos estão 70 de hospitalidade e camarotes pertencentes a quatro empresas, como antecipou O GLOBO, ontem, na internet.

- São 58 ingressos da Relliance (credenciada pela Match Hospitality para venda de pacotes na Índia), dez da Atlanta Limited (de Dubai e que pertenceria ao cambistafranco-argelino Lamine Fofana, preso na Operação Jules Rimet), um da Jet Set Sports(para a Rússia, Suécia e Noruega) e um da Pamodzi Sports Marketing Nigeria Limited(da Nigéria). A polícia nos pediu que não divulgasse isso, mas O GLOBO publicou, então, não tenho como deixar de confirmar - afirmou Weil.

O dirigente disse que as quatro empresas já foram chamadas a dar explicações para aMatch Hospitality e que podem ser punidas.

- Essas empresas não podem revender esses ingressos, então, não poderiam estar com esse senhor Fofana. Vamos analisar com a Match o que pode ser feito. Se ficar comprovada a participação de cada uma nesa revenda ilegal de pacotes por preços superiores, eram serão descredenciadas e não poderão participar de licitações para Copas do Mundo futuras - afirmou Weil.

O dirigente negou que alguém da Fifa tenha sido interpelado pela polícia ou tenha o nome entre os 141 ingressos apreendidos e apresentados pela polícia. O francês também questionou que o argentino Humberto Grondona, filho do vice-presidente da Fifa, Julio Grondona, esteja sendo investigado pela polícia brasileira.

- Se há uma investigação paralela, que vocês (da imprensa) me digam para eu abordar o senhor Grondona e seu filho. Todos podem comprar ingressos, ele (Humberto) comprou dez em nome dele, e deu a um membro da família. Se alguém disse que ele vendeu, isso é a mídia que está colocando. Nós já conversamos com ele e há duas versões na imprensa: um de que vendeu (numa entrevista ao canal argentino TyC) e outra de que ele deu a um amigo, que foi a que ele nos contou. Eles têm direito de comprar entradas. Se pegam dez, todas sairão no nome dele e naturalmente irão ele e mais nove pessoas. Se ele deu para um amigo e o amigo vendeu para outra pessoa, qualquer um de nós está sujeito a isso. Não se pode vender por preço superior - encerrou Weil.

Fonte: O Globo

 

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