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Os times mais sujos do futebol brasileiro

Publicado em 30 - 04 - 2015
 Os times mais sujos do futebol brasileiro

Coisas do futebol que ninguém imaginava

Clubes que recorreram a muito mais do que o jogo dentro das quatro linhas para tentar vencer

Campeonatos se decidem na bola, certo? Nem sempre, amigo. Às vezes eles são decididos na porrada, no vestiário, no doping ou no terreiro. Selecionamos times de sucesso que, em algum momento, recorreram a práticas fora das regras para levar vantagem. Nem sempre eles venceram, mas ficaram na história.

SANTOS 1963 (Doping e cai-cai)

O segundo jogo contra o Milan pelo Mundial Interclubes de 1963, no Maracanã, valia muito para Almir: ele substituiria seu maior ídolo, Pelé. Ao livro Eu e o Futebol, publicado pela PLACAR, disse que “entrou muito doido em campo”.

Em uma época em que não existia antidoping, Almir Pernambuquinho revelou ter usado uma “bolinha” (anfetamina), dada por Alfredinho, auxiliar técnico santista. Pepe não duvida que o companheiro tenha se dopado: “Ele estava fora de si”. O Santos venceu por 4 x 2, um dos gols marcado por Almir, igualando o placar da ida e forçando o terceiro jogo no Maracanã. Na partida seguinte, Almir ainda se atiraria contra o italiano Maldini para sofrer o pênalti, batido  por Dalmo, que sacramentou a vitória santista — e causou enorme reclamação dos italianos.

A ficha do Santos não para aí: meses antes, depois de ver quatro atletas expulsos pelo árbitro Armando Marques, o técnico Lula pediu para Pepe simular uma contusão numa partida em que o Santos perdia por 4 x 1 para o São Paulo. “Hoje, eu diria ‘Lula, não vou cair’, mas naquela época eu simulei, sim”, diz Pepe.

FLAMENGO 1966 (Loucura e pancadaria)

“Um cara fora de campo sensacional, muito amigo, mas dentro de campo ele se transformava. Tinha que tomar cuidado, porque ele entrava pra machucar”, disse Nelsinho, que jogou com Almir Pernambuquinho no Flamengo.

Em 1966, o rubro-negro e o Bangu chegaram à final do Campeonato Carioca. Na semana que antecedeu a partida, Almir suspeitou que alguns jogadores do Flamengo estavam comprados pelo Bangu. Em campo, começou a acreditar também na má-fé do árbitro Aírton Vieira de Moraes, o Sansão. Perdendo por 3 x 0 e após uma confusão com Paulo Borges, Almir perdeu a cabeça de vez. “O juiz me avisou que o Almir estava expulso. Aí ele se descontrolou e partiu para a briga”, disse Nelsinho. Almir começou a perseguir o zagueiro Ladeira, do Bangu, pelo campo, dando início a uma das maiores brigas que o Maracanã já viu e que, com tantas expulsões, acabou com o jogo ali mesmo.

BAHIA 1970 (Macumba e álcool)

Em 1981, os jogadores do Santa Cruz encontraram um despacho em seu vestiário, na Fonte Nova, antes da partida contra o Bahia. A princípio, consideraram apenas uma intimidação, mas dentro de campo foram derrotados por 5 x 0. O juiz da partida chegou a declarar, posteriormente, que alguma força estranha amarrava os jogadores do Santa Cruz. A verdade é que o Bahia não precisava das forças do além, pois tinha Beijoca — artilheiro que era um inferno para os zagueiros e outro ainda maior para o Bahia. “Se o jogo era domingo, a gente tinha que começar a se concentrar na quinta-feira para ele não sumir”, lembra Osni, que fez dupla com o atacante em 1978.

Beijoca chegou a ficar sem dar notícias por uma semana: quando apareceu, treinou, foi direto para o bar e, na partida contra o Botafogo, no fim de semana, só aguentou jogar por 15 minutos — não antes de marcar o único gol da partida. “Bebi para decidir”, disse à PLACAR em 2009.

SÃO PAULO 1977 (Pancadaria e mau-caratismo)

“O bandeirinha anulou um gol legítimo, fomos lá reclamar e aí eu derrubei ele.” A agressão de Serginho, contra o Botafogo-SP, pelo Brasileiro, lhe rendeu a maior suspensão já aplicada a um jogador no país — 14 meses. Aquele time chegou à final do Brasileirão contra o favorito Atlético-MG. Mesmo suspenso, Serginho foi tirado da Casa Verde, em São Paulo, e levado de helicóptero para o Mineirão, onde percorreu os corredores do estádio uniformizado. Segundo o atacante Zé Sérgio, “a ideia era não passar vergonha”. O São Paulo levou o título nos pênaltis, mas passou vergonha.

Na prorrogação, Neca, do São Paulo, fez uma falta dura em Ângelo, que engatinhava com dor (havia quebrado a perna) quando Chicão pisou em sua perna. Zé Sérgio confirma: “O Chicão pisou, sim”.

CASCAVEL 1980 (cai-cai e mau-caratismo)

O Cascavel era a surpresa do Campeonato Paranaense de 1980. Seria campeão mesmo se fosse derrotado pelo Colorado, em Curitiba, por cinco gols de diferença na última partida. Mas, ao fim do primeiro tempo, com dois jogadores expulsos, perdia por 2 x 0. “A gente sabia que o juiz estava na gaveta pelo jeito de apitar. E aí começou o cai-cai, por orientação do treinador, o Borba Filho”, diz Dirceu Casagrande, dirigente do Cascavel à época. O time voltou a campo já sem dois outros jogadores e, logo no início do segundo tempo, o goleiro Zico caiu no gramado.

Com seis jogadores no Cascavel, o árbitro encerrou a partida. Meses depois, ambos foram declarados campeões. “No fundo, foi bom para nós, porque seríamos vice”, afirma Dirceu.

SANTOS 1983  (Pancadaria)

“Comigo era assim: se jogasse limpo, eu jogava limpo”, diz Serginho Chulapa. Em 1983, no Santos, Serginho entrou de terno branco no clássico contra o Corinthians para promover seu LP, mas também criou algumas brigas e confusões — como aquela em que se envolveu com o amigo Mauro, zagueiro do Corinthians, com quem havia apostado uma doação de cestas básicas de quem perdesse o duelo.

A briga foi apartada por Leão. Era um time completo, com Pita e Paulo Isidoro no meio e Toninho Carlos e Marcio Rossini na zaga. Mesmo assim, o Santos não conseguiu o título do Brasileirão na final contra o Flamengo de Zico. Mas proporcionou uma das brigas mais curiosas do futebol: após o último gol, aos 44 do segundo tempo, a imprensa invadiu o campo e, irritados, os jogadores do Santos partiram para cima dos repórteres enquanto o Flamengo comemorava o título dentro de campo.

BANGU 1985 (Dinheiro sujo e pancadaria)

O pior cego é aquele que não quer ver: é o caso do Bangu de 1985. “A relação era de pai pra filho. O Castor passava uma confiança pra gente que valia por 1 milhão de torcedores”, afirma Ado, atacante daquele time. Se a confiança de Castor de Andrade, maior bicheiro da história, valia por 1 milhão de torcedores, imagine só quanto isso valia em cruzeiros, a moeda da época.

O mecenas do melhor Bangu da história montou um ótimo time com dinheiro de origem duvidosa. Comandado pelo “xerife” Moisés, autor de frases como “juiz não expulsa antes dos 10 minutos”, o time chegou até a final do Brasileirão. A mentalidade viril de Moisés funcionava dentro de campo. No Carioca do mesmo ano, o lateral Márcio Nunes ficou com a carreira manchada por uma entrada violenta em Zico, que comprometeu a participação do Galinho na Copa de 1986. “Ele falava que ninguém deve jogar igual menina”, disse Ado.

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