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O que deveria ser festa virou barbárie

Publicado em 04 - 05 - 2015
O que deveria ser festa virou barbárie

O grande público das finais foi ofuscado pelo vandalismo

( Inclui vídeo ) Cenário de guerra mancha brilho Tricolor; imprensa, jogadores, comissão técnica, dirigentes e quem tem juízo se refugiam nos vestiários

Até os 50 minutos do segundo tempo do Clássico-Rei, o futebol cearense vivia uma semana de glórias. Na última quarta-feira, o Ceará, sob quase 64 mil olhares, erguia a taça da Copa do Nordeste com autoridade na vitória diante do Bahia. Os holofotes do Brasil estavam voltados para a Arena Castelão. Os elogios pela paixão da torcida, também. O cenário parecia o mesmo nesse domingo. Em um jogo emocionante, com público total de 51.002, o Fortaleza conseguiu o empate aos 47 da segunda etapa (depois de sofrer uma virada com gols aos 37 e 45 do segundo tempo), voltava ao topo do estado depois de cinco anos de espera e impedia o penta do rival.

Em poucos segundos, a festa se desconstruiu. Os vândalos infiltrados na torcida furaram a insuficiente segurança presente e ignoraram os jogadores de seus respectivos times. Começou o confronto irracional no centro da Arena Castelão, que, no padrão de estádio de Copa do Mundo, exige um comportamento distinto para quem vai à arquibancada inferior. Em segundos, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, correria, pancadaria, crianças chorando. Jornalistas, jogadores, comissões técnicas e dirigentes correndo para os vestiários em busca de refúgio. Cadeiras arrancadas, barras de ferro como armas, um estádio como campo de guerra.

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Quem não aguentava o cheiro de gás passava mal. Outro, ferido no rosto, passava exibindo o sangue, carregado para fora do gramado. A preocupação em impedir confronto nos arredores da Arena Castelão e nos terminais de ônibus da capital cearense não foi a mesma no interior do estádio. Sem o alambrado, o palco estava ali, exposto, para que o encontro entre as torcidas de Ceará e Fortaleza ocorresse sem empecilho e fosse televisionado. A invasão ocorreu não apenas no apito final, mas também em uma segunda vez, depois de a taça ter sido entregue ao Leão. Novamente a fronteira montada pelo Polícia e pelos seguranças privados foi furada. Novamente, jornalistas tentaram se diferenciar dos vândalos e não sofrer com a repressão no gramado. Nem todos conseguiram.

Antes da Copa do Mundo de 2014, o então secretário especial do Mundial no Ceará, Ferruccio Feitosa, sonhava com o padrão ideal: colocar torcedores de diferentes equipes lado a lado na Arena Castelão. Algo como ocorreu entre Inter e Grêmio, no Campeonato Gaúcho. Nesse domingo, no título do Fortaleza no estadual, não foi possível. O futebol cearense resiste, com brilho. O empate do Fortaleza aos 47 minutos do segundo tempo, tirando o pentacampeonato do rival quando parecia impossível, vai permanecer na memória dos que lá estavam. Mas a imagem virá acompanhada da barbárie.

Colaborou com o vídeo o Canal Leandro Sports

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