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Quadrilha de cambistas tinha acesso a áreas da Fifa, diz polícia do RJ

Operação policial terminou com nove presos no Rio e dois em São Paulo. Investigações apontam que quadrilha movimentava R$ 1 milhão por jogo

A Polícia Civil do Rio informou que a quadrilha internacional de cambistas presa nesta terça-feira (1º) no Rio e em São Paulo pretendia faturar R$ 200 milhões de reais na Copa do Mundo. Onze pessoas foram presas. Um argelino é apontado pela polícia como chefe da quadrilha. De acordo com a polícia, uma entrada para a final da Copa poderia chegar a R$ 35 mil. Segundo os investigadores, o grupo atuava há quatro Copas do Mundo na venda de ingressos. Os presos disseram que só vão prestar declarações em juízo. A Fifa declarou que ainda não foi informada oficialmente pelas autoridades brasileiras e que, não vai comentar o assunto.

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De acordo com a polícia, investigações que apontaram que o grupo chegava a faturar R$ 1 milhão por partida do Mundial com a venda dos ingressos.

No condomínio Santa Mônica, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, os agentes prenderam o argelino Mohamadou Lamine Fofana. A ação no Rio resultou também nas prisões do PM reformado Oséas do Nascimento, além de Alexandre Marmo Vieira, Antônio Henrique de Paula Jorge, Marcelo Pavão da Costa Carvalho, Sérgio Antônio de Lima, Ernane Alves da Rocha Júnior, Júlio Soares da Costa filho e Fernanda Carrione Paulucci. Alexandre da Silva Borges e o advogado José Massih foram presos em São Paulo.

Quadrilha de cambistas atuou por 4 copas e iria lucrar R$ 200 milhões

Argelino tido como chefe do grupo estava em condomínio na Barra.

Quadrilha de cambistas atuou por 4 copas e iria lucrar R$ 200 milhões

Com os suspeitos, foram apreendidos tíquetes fornecidos como cortesia a patrocinadores e a Organizações Não Governamentais (ONGs). O delegado Fábio Barucke, da 18ª DP, afirmou ainda que há indícios de participação de algum integrante da Fifa no esquema. A ação da polícia contou com interceptação telefônica, ação controlada, filmagens da venda dos bilhetes e desarticulação de três agências de turismo. Os presos serão indiciados por cambismo, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

“Nós temos elementos que dão a entender que eles teriam envolvimento com algum membro da Fifa. Nós ficamos atrás de um argelino [um dos detidos] e verificamos que no carro dele há um adesivo que dá acesso a qualquer evento privado da Fifa. O inquérito está em curso. As prisões são temporárias, outras pessoas ainda podem ser qualificadas. A prisão preventiva vai ser requerida e documentos estão sendo analisados”, afirmou Barucke.

Especializados em copas do mundo

Entre os detidos, nesta terça, está um policial militar. Um dos indiciados, segundo o delegado, trabalhava com integrantes de três seleções. Com os times, ele conseguia 50 ingressos por jogo e vendia cada um por mil euros.

“Eles confessaram que já realizaram quatro Copas do Mundo. Onde tem Copa do Mundo essa organização vai ao país sede. Há possibilidade deste grupo trabalhar apenas nas Copas. O lucro é tão grande que eles podem esperar de uma copa para outra”, disse Barucke.

Três agências de turismo envolvidas
“Descobrimos que estas empresas faziam contato com agências de turismo que traziam turistas para o nosso país e vendiam ingressos acima do preço. A rentabilidade ia de 200% a 1000%, valor maior ao de qualquer atividade lícita”, explicou Barucke.

O delegado disse ainda que, de acordo com o progresso da seleção brasileira no campeonato, os valores dos ingressos ficavam mais valorizados.

“Isso não democratiza o acesso ao Maracanã. Esse inquérito está em curso. Alcançamos 11 pessoas e nós temos mais provas da participação de outros elementos. Já temos a prova de participação de outras sete pessoas nessa quadrilha”, disse o delegado.

Quem comprou ingressos vendidos pela quadrilha será chamado para depor. “Todas as pessoas que estão sendo flagradas comprando ingresso são qualificadas como testemunhas do inquérito”, afirmou o delegado.

A polícia cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e apreendeu planilhas de contabilidade da quadrilha, mais de cem ingressos e documentos diversos, além de dinheiro em espécie.

As contas correntes de todos os indiciados foram bloqueadas. Os bancos foram comunicados sobre a investigação e a quebra de sigilo bancário já foi pedida à Justiça.

Cambistas teriam levado 500 mil dólares com venda de 22 ingressos (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP).

A operação, batizada de “Jules Rimet”, foi comandada pelo delegado da 18ª DP, da Praça da Bandeira, Fabio Barucke, que investigou os suspeitos por cerca de um mês por meio de rastreamento telefônico e investigação in loco. Segundo a polícia, o grupo de cambistas atuou também nas últimas quatro Copas do Mundo. Barucke afirmou que o grupo comercializou ao menos 600 entradas para o Mundial do Brasil. Todos os ingressos apreendidos são verdadeiros, segundo uma perícia feita logo após as detenções.

Os bilhetes destinados à Seleção Brasileira não possuem os nomes de quem os recebeu, apenas a designação “comissão técnica”. A Fifa informou que cada delegação precisa informar à entidade o nome de quem recebe cada ingresso.

Os detidos são, segundos as investigações, liderados pelo argelino Lamine Fofana e pelo brasileiro Alexandre Marinho, ambos sob a custódia da polícia. Fofana se identificou como empresário de futebol. A polícia suspeita que ele tem ligação com alguém da Fifa, já que ele foi visto entrando no hotel Copacabana Palace antes de entregar ingressos em uma venda.

Marinho é dono de três agências de turismo que têm o mesmo endereço, em uma sala comercial em Copacabana, onde também foram apreendidos ingressos.

Entre os presos há também um advogado e um PM reformado do Rio de Janeiro. Em ligação grampeada pela Polícia Civil com autorização da Justiça, um dos envolvidos teria afirmado ser capaz de fornecer 50 ingressos por jogo de três delegações diferentes. Ou seja, 150 ingressos que seriam vendidos de forma ilegal por partida.

A Polícia ainda investiga outros sete suspeitos não identificados. Os cambistas presos serão autuados por associação criminosa, cambismo e lavagem de dinheiro.

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